Antonio Mont'Alverne
A.K.A.: Amontalv
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Movimentemos essa joça.. Muito tempo parado, poeira se acumulando, enfim...

Assim, o post de hoje é sobre aquilo que mais me anda ocupando ultimamente (além de ficar jogando Battleforces 2 no pc -ô joguinho viciante)... A defesa do Autódromo de Jacarepaguá contra a porra das obras que querem enfiar lá dentro: um estádio, um velódromo e uma porrada de piscina. De cara já deixo uma figura aqui e a pergunta: colocar isso aonde?!?! (lembrando que a Lei não permite alterações no traçado e/ou funcionamento do autódromo, ou seja, enfia isso na área em branco)

Agora, como eu to sem saco de explicar o porquê de lutar contra essa porra de Pan-Americano, vo aproveitar um texto do vereador Stepan Nercessian:

O pai da noiva

O pai da noiva abriu inscrições para pretendentes. A noiva, dessa vez, eram os Jogos Pan e Paramericanos de 2007. Entre os pretendentes, o charmoso e belo Município do Rio de Janeiro. O prefeito, responsável pela apresentação do noivo, impressionou os membros do júri, expondo dotes, fortunas, títulos, imóveis e principalmente muito, mas muito dinheiro mesmo. O casamento está marcado para junho de 2007 e os emissários dos pais da noiva visitam a cidade para se certificar da justeza do que fora declarado. As visitas têm sido muito positivas. Até aqui, nenhuma mentira ou falsidade. O padrinho é o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e o juiz é o avô do COB, o senhor COI (Comitê Olímpico Internacional). Esse período pré-nupcial transcorre na mais santa paz, agradando a todos. Porém, alguns fatos aparecem para perturbar a festa.
O noivo tinha dinheiro em caixa para bancar as despesas com a cerimônia e agora, infelizmente, não tem mais. Recorreu então a alguns amigos, pedindo-lhes para que se responsabilizassem por tudo. Dá até para imaginar o seguinte diálogo:

-Quem quiser participar, tem que colaborar. Preciso fazer algumas obras ali no autódromo e aquele que se dispuser a isso ficará depois com o autódromo de presente por bons e longos anos. Afinal, eu só vou usar o autódromo para a festa – quem ganhar a concorrência usufruirá à vontade mais tarde...
-Mas é muito caro mexer ali.
-Façam um consórcio. Amealhem dinheiro e pronto.
-Mas, senhor, em volta do autódromo nós poderíamos construir hotéis, prédios, avenidas! Afinal, virão convidados de boa parte do mundo!
-Façam o que for necessário. Vocês têm carta branca.
-Bem, para isso é preciso modificar leis, gabaritos, tem o problema do uso do solo...
-Não se preocupem, tenho amigos na Câmara dos Vereadores e eles farão o que for preciso. Cá pra nós, quem ousará entrar para a história como aquele que dificultou ou impediu esse casamento?
-Já que é assim, está ótimo. Mãos à obra!

Diante disso, concedeu-se ao Consórcio Plaza a autorização para construir e modificar o primeiro templo. Conforme fora combinado, a Câmara aprovou as modificações, só não ficando bem claro que destino seria dado a um grupo de pobres que havia fincado suas casas em volta do local da festa, a Vila do Autódromo. Mas os pobres... Ah, os pobres!
E o tempo foi passando e nada de o Consórcio assinar o contrato.
Descobriu-se que os amigos do Consórcio, que alegavam dispor de capital, muito capital até, nada possuíam. Eram iguais ao noivo. E o Prefeito, responsável pelo sucesso do evento, ordenou:
-Recorram ao BNDES e façam um empréstimo! Dêem como garantia a Dívida Ativa do Município.

E foi o que de fato aconteceu, uma vez que esta dívida faz parte dos dotes do noivo. Como sabemos todos, o mar não está para peixe em matéria de dinheiro, e o mar precisava saber onde é que seria celebrada a parte marítima, justamente, da festa...
-Na Marina da Glória!
-Mas, senhor, muitas coisas precisam ser feitas até que o ambiente fique realmente adequado para tamanha e grandiosa celebração!
-Façam um consórcio...
-Lá não é possível. Há quem vá expor no local e essa permissão se estende até 2016.
-Então prorroguem a permissão até 2036 e seja lá o que Iemanjá quiser!
E assim foi feito e mais um dote se foi.

E o Estádio Olímpico, o grande templo, eis a preocupação maior de todos. Afinal, ele estava na relação dos dotes e promessas. Era uma questão complicada. O pai da noiva, já ouvindo alguns sussurros, exigiu pelo menos uma demonstração concreta da fortuna prometida. Que ela fosse mostrada! Até agora todas as obras tinham sido repassadas a parceiros. Então ficou decidido que o Estádio Olímpico do Engenho de Dentro seria financiado com o dinheiro do noivo.

Alguém perguntou: e depois do casamento, o que faremos com esse garboso estádio?
Cuidaremos disso depois. Dá-se um jeito. Não estamos resolvendo o problema da Marina, a questão do Autódromo? Então, quem sabe se daqui a vinte anos, quando o príncipe se casar...

Mas, por ora, resolveram pegar mais um dote do noivo e dar de presente por cinqüenta anos para quem se prontificar a realizar pequenas melhorias para a celebração do casamento. Estamos nos referindo ao Riocentro. O único pavilhão decente que existe no Rio de Janeiro para abrigar congressos, exposições, feiras, shows e tudo mais. Acontece que o pai da noiva, o responsável pela festa, os padrinhos, os amigos e todos esqueceram de contar que estes dotes tinham e têm um dono: a cidade do Rio de Janeiro.

Durante longos anos, por amor e dedicação à Princesinha Maravilhosa, os homens de bem, os empresários, os mais humildes também, os comerciantes, todos pagaram impostos e, com grande dificuldade, fizeram o autódromo, a Marina da Glória e o próprio Riocentro. Só que agora, precisamente na hora da festa, sem consultar ninguém, o responsável de plantão resolveu se desfazer de tudo que o povo construíra para a felicidade da moça.

As pessoas não estão exigindo nada de mais. Queriam apenas discutir o futuro dos dotes. Já que ajudaram a construir tudo, não poderiam ser ignoradas. Desejavam sim o casamento – só que com regras claras. E ouviam como resposta que não havia mais tempo, que as metas tinham de ser cumpridas...O tempo voa, vocês sabem! O ano de 2007 está chegando. A festa precisa acontecer, doa a quem doer. Ou a quem doar...

E o leiloeiro saiu gritando.
- Quem quer o Riocentro, quem vai querer! Vou bater o martelo!
Ainda não podemos afirmar com todas as letras, mas existe o medo de que ao final da cerimônia todos descubram que, na verdade, o capital, os dotes, os bens se foram e sobraram para nós a decadência e a insegurança. A noiva vai distribuir medalhas de Ouro, Prata e Bronze para os que se apresentarem bem na cerimônia. O mundo inteiro vai assistir à festa, mas pode ser que depois do casamento a noiva Pan vá embora, deixando por aqui um Município, vale dizer, um noivo mais pobre, ainda mais endividado, traído e triste do que antes

Ah, também novos links sobre o SOS Autódromo e afins:

SOS Autódromo RJ

A Verdade do Pan 2007

 Rage - Point of no return (Cursed by his own curse;  Perception will come far too late;  And justice will be made ...  I guess some people never learn; They drive the story to a point of no return)

  Escrito por Antonio às 02h47 [   ]








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